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  • Vão as Cidades Costeiras de Moçambique Desaparecer até 2050? O que a Ciência Prevê?

    Vão as Cidades Costeiras de Moçambique Desaparecer até 2050? O que a Ciência Prevê?


    Imagine caminhar pela Avenida Marginal de Maputo ou pelas ruas históricas da Beira em 2050 e encontrar o Oceano Índico onde hoje existem edifícios, mercados e memórias. O que parece o roteiro de um filme de desastre é, na verdade, uma projeção matemática baseada na subida do nível do mar. Moçambique, com os seus 2.700 km de costa, está na linha da frente de uma crise global. Mas o que está realmente em jogo: o nosso território ou a nossa capacidade de adaptação?

    A ciência é clara: o aquecimento global está a derreter as calotes polares e a expandir os oceanos. Este fenómeno, invisível no dia a dia, representa uma ameaça existencial para nações costeiras como Moçambique. Com uma das maiores e mais baixas linhas costeiras de África, o país enfrenta não só a subida gradual do mar, mas também o agravamento de eventos extremos como ciclones e inundações.

    A Geopolítica da Água: Por que Moçambique é um Epicentro?
    A vulnerabilidade de Moçambique não é acidental; é uma combinação de fatores geográficos, históricos e socioeconómicos. Muitas das nossas cidades mais populosas e economicamente vitais foram construídas em zonas de baixa altitude, em estuários de rios ou em planícies aluviais. Isto significa que a terra, em muitos pontos, já está perigosamente próxima – ou até abaixo – do nível da maré alta.

    Representação artística de infraestrutura de proteção costeira na Beira, Moçambique, contra a subida do nível do mar.
    O futuro da costa moçambicana depende do equilíbrio entre engenharia moderna e preservação ambiental.

    A Beira é, talvez, o exemplo mais dramático a nível mundial. Conhecida como a “cidade das águas” devido à sua topografia em forma de taça, a Beira depende de um complexo sistema de canais de drenagem, muitos deles herdados da era colonial, para se manter a seco. Após a devastação do Ciclone Idai em 2019, a Beira tornou-se um laboratório global de resiliência climática, com investimentos massivos em infraestruturas de proteção. Mas será o suficiente? A luta da Beira é um símbolo da batalha de Moçambique contra o relógio.

    Fotografia aérea da Avenida Marginal em Maputo mostrando a proximidade das águas com a estrada principal
    A orla costeira de Maputo, com as suas barreiras e estruturas de contenção, num dia de céu nublado, realçando a constante vigilância contra a erosão.

    Maputo: A Erosão do Progresso e do Luxo. A capital, motor económico do país, não está imune. A subida do nível do mar ameaça diretamente a icónica Avenida Marginal e as zonas de baixa altitude. O impacto vai além do ambiental; toca no setor imobiliário de luxo. Como um investimento em propriedades na costa pode ser valorizado se o seu futuro estiver literalmente submerso? Indiretamente, os leitores mais astutos começam a questionar a segurança dos seus próprios investimentos e a necessidade de planeamento urbano rigoroso.

    O que Fazer? A Visão para 2050
    A pergunta não é “se” o mar vai subir, mas “quanto” e “como” Moçambique se vai adaptar.

    Investimento em Infraestrutura: Molhes, diques e sistemas de drenagem modernos são essenciais.

    Restauração de Ecossistemas: A replantação de mangais é uma solução natural e custo-eficaz.

    Planeamento Urbano Inteligente: A construção em zonas de risco deve ser repensada e, em alguns casos, proibida.

    A discussão sobre as cidades costeiras de Moçambique não é apenas um debate académico; é um plano de sobrevivência. É um convite à ação para cidadãos, investidores e governos. A inação de hoje moldará um futuro submerso.